sexta-feira, 10 de julho de 2015

Irrita

- você me irrita

- porque eu não respondo suas mensagens

- porque você não liga

- você também não me liga

- mandei mensagem

- bêbada conta?

- deveria valer por dois.

- não é porque você falou besteira que a honestidade vale mais

- deveria. Quando eu falo na cama o que você quer ouvir vale por 10...

- você me irrita.

Discussão

- eu não sei terminar essa discussão

- tanto tempo comigo e ainda não aprendeu?

- você sempre acha que ganha

- e você nunca aceita a derrota 

...

- eu poderia aceitar perder... se você não fosse tão 

- adoro quando você me elogia

- eu nem disse

- eu sei. Obrigado 

- hunpf 

- 2 a zero pra mim

sábado, 4 de julho de 2015

Nome

- não dá pra escolher um nome

- não temos como não escolher

- por que, não?

- não posso chamar o cão de cão.

- você pode o que quiser

- porque sou livre blá blá blá. Não, não dá.

- não sei porque fazem essa grande coisa com nome. É só um cachorro

- é o nosso filho...

- não sabia que meu esperma fazia beagle.

- você é hilário.

- pode escolher. 

- não deve ser assim...

- não deveria mesmo. Muito exagero pra um bicho.

- Joaquim.

- Jarbas. 

- nome ridículo.

- já chamei ele de Jarbas uma vez e ele atendeu. Nome tinha que ser isso: identificação.

- você é ridículo.

- chama ele de Jarbas só uma vez... Você disse que queria um nome pro cão e agora ta reclamando. Jarbas, ei!

- hunpf

- ele curtiu! 



quinta-feira, 2 de julho de 2015

Depois de ontem


- preta, daquela bem carnuda, sabe. Você tem gosto de azeitona preta.

Foi isso que eu disse quando acordei. Era um elogio. Ela não pareceu entender.

- você precisa amadurecer, Renato.

Azeitonas pretas são as melhores. Quando você olha elas no vidro já fica com água na boca. Cheias de suculência... Marcam presença onde estão. Não dá pra não notar. 
Eu podia comer todo dia. Talvez não todo dia exatamente, pode enjoar. Mas a ideia de ter uma ali na frente disponível pra quando quiser é simplesmente genial.

Ela não seguiu a metáfora.

- Renato, depois de ontem a única coisa que você tem a dizer é que eu sou uma azeitona? É isso?

Ela queria um clichê. Talvez a azeitona fosse muito pro paladar dessa menina. 

Mas ela mandou um "depois de ontem". Hum. Depois de ontem...
Depois de ontem pode ser um fracasso. Aquela discussão mala de relacionamento. 
Depois de ontem pode definir padrão. Aquele sexo fora do normal em que ela gozou umas 3 vezes e falei com t-o-d-a-s as letras o que ela se amarra em ouvir.
Depois de ontem pode não ser nada além de hoje.

- depois de ontem. Sim.

Eu não poderia dizer "estou apaixonado ou qualquer coisa". Não seria honesto. Se eu dissesse exatamente isso depois de ontem, aí sim teríamos um problema.

- depois de ontem, eu gosto mais de azeitona preta.

Ela arrumou as coisas e saiu. Sem nem falar nada. Não disse pra onde. 

Quase de noite, eu sozinho na cama:
A campainha tocou. Abri a porta e estava ela ali, com um pote na mão.


Depois de ontem ela nunca mais foi embora. 

domingo, 22 de março de 2015

Só

Os finais são felizes. 
Você é que pensa que não
Por que termino na solidão?
Prefiro dizer que termino livre
Sem amarras ou amores
Sem alguém pra dizer não.

Pela manhã

- Talvez a gente não tenha nada a ver.

Ela começou assim o café da manhã. Depois de uma noite incrível de sexo, depois de eu ter sido arrastado pra um dos seus mil casamentos. 

- ovo mexido, quer?

Ela continuou a falar naturalmente, quase como se eu não tivesse escutado a sua primeira sentença. 
Sentença. Palavra curiosa pro momento. Sentença é frase, ne? Mas é veredicto. 

- eu fiz meio mole, meio duro. Como você gosta!

Ah, ela conhece meus ovos! Perdão com o trocadilho. Mas os ovos que ela me faz são os melhores! Não serve pra nada além disso na cozinha, mas os ovos... 
Eu vou comer antes de perguntar qualquer coisa.

- Mas então. Não sei se você ouviu...

Ouvi. Mas passa o sal antes?

- Nós não temos nada a ver.

Antes era "talvez". Agora ela parece falar com alguma certeza.

- Aquele dia no bar, ou no outro lá em Petrópolis... Sabe. Acho que tá evidente... Ontem também...

Peraí! Ontem?!?! Chegamos bêbados. Eu de terno grafite como ela gosta, ela de vestido vermelho como eu gosto. Chegamos no apê, comi ela de pé, de lado e deitada de bruços. Como assim ontem tá nessa lista?

- Tá... O sexo foi incrível. O sexo com você é sempre incrível. E é por isso mesmo que

Parei de escutar. Meu pau ficou duro na hora e eu só pensava em parar os ovos dela pra ela sentir os meu ovos outra vez. Mas ela cortou meu tesão.

- Sério. Foi mal, sabe. Mas é que, é que eu te curto demais. E acho que não vai dar mais. 

No caso não dar mais você diz que você não vai mesmo dar mais? Ai, merda.

- Não posso. Não nasci pra isso. Defeito congênito, de fábrica, sei lá. Difícil isso, sabe.

Não. Não sei. Já posso falar agora?

- Eu penso em você e me vem um monte de coisa maravilhosa. E é exatamente esse o problema! Não vai rolar, Fabio. Pra mim acabou.

Ela levantou e colocou o salto antes de fechar o vestido. Ajudei com o zíper, agarrei ela por trás e enfiei meu nariz na sua nuca. Não tinha mais o que fazer. Torci pra que isso fosse apenas uma fuga. Não disse nada. 
Ela escapou das minhas mãos. Bateu a porta. 

Chorei. 

O problema não era ela, era eu.

Lá

Quando lá do alto
Não te avisto
Tá distante
Não dá pra mais
Você ficou lá trás
Antes de eu decolar.
Não sei voltar
Esqueci o caminho
E não quero lembrar
Tá na hora de sair mesmo
Mas você quer ficar 
Não te reconheço
Nem você a mim
Cuida bem desse fim
Porque não tenho tempo
De pensar nos momentos.
Eu parti mesmo
Não foi pesadelo
Meu sonho tá acontecendo
E estamos distante outra vez.
Não foi insensatez, te juro
Não esqueci seus dons
Mas não há mais espaço
Pra andar no mesmo passo
Eu e você não somos mais
E isso jaz
Você sabe.
Ou poderia jazz,
Você também sabe.
Parti, obrigada.
Foi bom ser sua "ada".",
Nada.