terça-feira, 1 de julho de 2008

Crónica sem nó

Não entendo bem porque todos os escritos e autores, cronistas e colunistas teimam em escrever suas obras a partir de uma observação da realidade. O grande diferencial de alguém apto é o de descrever em palavras uma emoção fora do exprimível. Logo, por que não descrever sobre o imaginável mundo de ficções? O plausível nem sempre é o mais aprazível...
Por todo esse pensamento sem sentido que escrevo hoje algo que nunca pensei escrever anteriormente. Um texto sem motivo, sem início nem meio, cujo fim não se dá antes pelo simples fato de ter sido escrito depois. Quando não se tem nada a falar, qualquer que seja a ordem da expressão não alternará o produto sem valor nenhum.
Na verdade, um texto sobre nada (e não sobre o nada, como o exímio Seinfeld o fez bastante em sua carreira) é apenas a prova da capacidade de envolvimento e interlocução de um autor com o seu público. Quem me dera ter a certeza de que meus pensamentos, fundados sejam ou não, tomam tempo na cabeça de várias pessoas pelo meu simples assinar no rodapé!
Pretensão, talvez? Ou não...São poucos os que já disseram tanto que até são capazes de dizer em momentos vãos umas palavras sem pranto e sem emoção. E seu um dia eu assim puder discursar, sem querer levar o leitor a nenhum lugar, feliz escritora serei – a vender best-sellers sobre o vento, ou apenas falar na tv enquanto todos esquecem seus lamentos. Por ora termino meu devaneio. E deixo em aberto todo o anseio de receber algo de volta por uma crônica sem objetivo

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Homenagem

Em uma estrela da Lapa
Se esconde uma odisséia
Que nem a boemia carioca
Consegue disfarçar.

O circo está armado
E mesmo se os sons não forem democráticos
Ninguém no mundo os confunde.

Essa mistura de rock com samba
E funk na salsa
Denota a fundição,
O arco-íris
De mundos estranhos
Onde rola todo dia
O cenário do Rio
Ali perto da Lavradio
Sob os arcos da Lapa a quarenta graus.

Ironia

Tô esperando...


...

...

...



Pra ver se ansiedade passa.

Prisão

Lá pelas quatro da manhã
Me delataram ao policial
Eu não tava fazendo nada, juro
Mas nem quiseram ouvir o final.
- Aqui isso não pode!
Pode não, disse o policial
E eu já entregue
Declamei sobre as escadas
- Eu não sou marginal!
E me levaram pra DP
Ou vindo qualquer coisa no rádio
Ou talvez um cd.

E mesmo a culpa não sendo minha
Tive que enrolar
Soltar a lábia na ladainha
Pra dizer logo de vez
Que não era bem isso,
Jovem tem sensatez.
E foi tanta veemência dita
Que hoje eu nas ruas
Tenho ainda em minha ficha:
Prisão por abuso.

Lugar-comum

Poder-se-ia dizer...
Já é velha!
E velho não faz essas coisas!
Mas nem por isso escutaria...
Sob suas vigas corre a vida!
Alguém se atreve a dar um basta?

Sem descanso e na manguaça
Pulam em duplas nas escadarias
Se não houvesse mais...
Ou se houvesse um pouco menos...

Lapa

Lá pelas duas da manhã.
E foi assim que tudo começou
Entre esquinas e ambulantes
Sob o cheiro forte dos salsichões
Eu disse não.
A princípio...
Depois pensei a fundo
Bem lá no fundo!
Cogitei a proposta,
Não era bem uma resposta
O que ele esperava.
Eu disse:
Calma!
Ele disse:
Agora!
Pois então fui eu embora
Da minha noite

Com uma rosa nas mãos.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Essa ai completou um ano de vida...

Esqueci.
De súbito assim:
esqueci.
Sem soletrar,
Sem respirar,
Sem gaguejar.
Olho no espelho e me vejo.
Até a imagem se faz desaparecer.
E nem mesmo o beijo eu lembro.
Mesmo que eu tente inundar-me na memória.
Esqueci tanto que nem lembro de tentar lembrar.
Eu esqueci.
Simples assim.
Da maneira mais apagadora que pode haver.
E se alguém me pedir pra contar o quê,
nem mesmo conseguirei dizer.
Apenas repetirei:
esqueci.