sábado, 27 de setembro de 2008

Amarelos e azuis

Quais cores serei capaz de enxergar,
Se sem vida, em cacos está meu olhar?
Nem sei se é vidro,
Ou se é espelho
Que me cega a tal ponto!
De uma rapidez inebriante...
Parece até mentira quando conto!
Quero ir pra esse lugar
Onde amarelos parecem par
De azuis infinitos
Constantes como nunca existiu
Longe desse meu novo lar.

Imagem

Nesses meus olhos de vidro
Não vejo nada além do mesmo.
Uma imagem congelada.
Sem auto controle,
Remoto é meu desejo
De apenas dar movimento.
Um pouco pra fingir
E um pouco pra crer
Que meu anseio é menos do que vejo.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Por essas e outras

E se não fosse você a me procurar,
A me contar mentiras que eu não saberia inventar,
A dizer que sem fim é um sonho que recomeça no presente,
Que na luta, há corpo resistente.
Que a derrota é apenas um fantasma,
Que no coração, como dor, espasma,
E que onde estiver a culpa,
A ruptura será inevitável.
E por isso, nesse sei lá o que,
Nese discurso previsível,
Que permaneço, como não posso,
Desse meu jeito estável.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Aliança

Tudo é o caos.
Nas minhas partículas,
Das quais só eu sei as particularidades,
Ocasionalmente encontro
Um caso ou outro
De partes adversas.
Não que haja partidas
Ou cisões partidárias,
Mas é que quando há mistura e promessa
Lembro que cada parte é uma só
E é aí,
É aí que a guerra começa.

Essa semana foi criativa!

E na metalinguagem
Se faz a poesia
Não dela mesma,
A poesia,
Mas no próprio eu
Que mesmo lírico
É apenas real:
Mais uma vez
Um retrato
Um encontro casual.
Da boca e do papel.

Para os apaixonados

Na suavidade breve
Desse sopro de brisa
Até mesmo vento leve
Derruba qualquer edifício.

Das árvores, constante
Nem mesmo aas raízes
Sustentam esse rompante
Apesar de todo sacrificío.

Por qualquer tempo curto
Em sonho dura a eternidade
Lembrando que, às vezes, é no surto
Que se observa o precipício.