sábado, 8 de março de 2014

Feliz dia da mulher

"Melhor trocar de roupa para ir lá".
"Não ande sozinha por essa rua".
"Assim você vai ficar mal falada".

Não dá pra listar todas as frases que nós mulheres ouvimos durante toda a nossa vida. Somos educadas a viver sob um preconceito obscuro e ao mesmo tempo gritante. 
Somos educadas a ouvir comentários abusivos nas ruas, a esperar que um dia alguém pode tentar algo à força. Somos educadas a entender que "homem é assim" e que, por sermos mulheres, temos o dever de entender e aceitar um punhado de piadas maldosas e de nos submeter a análises de nossas capacidades com base apenas em nossa vestimenta e em nossa vida social. 
Uma pena mesmo que os homens tenham tanta insegurança. Porque só um cara completamente inseguro tem a necessidade de ferir física ou mentalmente uma mulher. 
Patético. Desprezível. Viver em um mundo onde o importante é me vestir e me agir de uma forma ditada é vergonhoso. 
Nós mulheres precisamos sair desses armários! Mas nós também somos responsáveis por manter essa tradição do machismo. Julgamos aquela que se veste como quer, que transa com quem quer e que não quer casar e ter filhos. Julgamos uma mulher sem nem mesmo saber porquê.
O dia 8 de março pra mim é simples. Muito simples. É apenas um lembrete dessa porcaria de sociedade hipócrita em que vivemos. 
Pra que ter um dia da mulher se em TODOS os dias, desde o nascimento até a morte, precisamos lidar com o machismo e com as imposições de um perfil de mulher "ideal", "perfeito"?
Uma pena precisarmos deste dia. Uma vergonha não ter mudado nada e não termos feito nenhum progresso.
Enquanto escrevo, uma em cada 14 mulheres no mundo é agredida. Ou, como prevê a ONU, 70% das mulheres serão agredidas ao menos uma vez em suas vidas.
Feliz dia para nós. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Hora de ir

Desse mar não sei me despedir.
Foi curto o tempo de espaço
E está quase na hora de partir.
Meu coração deu um laço...
Preciso reaprender a sorrir.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Personalidade

Só sozinha
Você percebe quem quer ser
Como vai se apresentar
Quando encontrar alguém.
Eu não sou do tipo zen
Que espera por um sinal
Vou direto ao ponto
Mesmo que seja um final.
Gosto mesmo de poder ser várias
Mudar meu jeito por um instante
Invadir outra personalidade
Fazer uma mentira ser verdade!
Adoro poder ser tudo isso:
Viver o novo sem compromisso!
Mas de vez em quando bate
Um ímpeto de vontade
De amar de uma pessoa só
E cessar essa eterna saudade.






Pedras

Era uma pedra
E agora são 3.
Todas se movendo
Enquanto continuo sendo
A mesma da outra vez.
"Mas elas são pedras",
Pensei com sensatez.
E me disseram: "mas seguem os rumos do vento"!
Enquanto eu lamento
Essas pedras içam suas velas
E partem ao relento.
Sem medo do que vem pela frente
Mas deixando uma marca permanente.
Porque pedra que é pedro se move mesmo!
E se der errado e alguém acabar naufragado, sem problemas!
Sempre tem uma baía pra resgatar
E trazer de volta do mar
Essa pedra pra ficar ao meu lado.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Gamão

Vamos jogar gamão
Pedras dispostas logo de cara
E o jogo com regras claras.
A sorte do dado pode mudar
Eu perder ou você ganhar!
Brancas e pretas na mão
Na sua e na minha de forma rara!
Meu opositor pode até pensar
Que essa partida é o que há!
Mas enquanto ele joga gamão 
Você me olha com disposição...
Na minha cabeça de iniciante
Dessa louca competição
Só tenho vontade de levar
Você por um instante.
Vou guardar esse jogo na memória
Um duplo um num dado de sorte 
E minhas pedras sendo devoradas.
Mas nada disso é importante!
Porque durante todo esse jogo
Era você e eu que estávamos na jogada.


Verão

Como faz pra esse calor
Não terminar depois do verão?
Será que vem invadir o coração?
Ou só a memória pra lembrar
Dessa vontade que me deixou sem ar?
Quero de novo e mais uma vez
Não que eu esteja sentindo dor
Mas o vazio ficou no lugar
Da alegria fugaz que você me fez.
Só com a lembrança vai ser ruim
Porque ter você pra mim,
Ainda que por momentos apenas
Me deu desejo de ter mais!
Mas quando você me olhou assim
Sabia que fosse o tempo que fosse
Seria essa uma brincadeira doce
Que me deixou com água na boca.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Assédio

Podem me julgar. Mas não estou nem aí pros 20 centavos, pra coleta seletiva ou pra matança das baleias. Não que eu não me importe com causas grandes como essas. Mas é que infelizmente sou defrontada constantemente com causas maiores que essa. Hoje, pela quarta vez na minha vida, fui assediada sexualmente. 
Não tenho mais o direito de ir e vir como bem quiser porque se uso um shortinho jeans estou praticamente induzindo um babaca a enfiar a mão no meio das pernas! Não, eu não pedi isso. Ainda que eu estivesse pelada rebolando até o chão, isso não garante a ninguém o direito de encostar a mão em mim.
Foi a quarta vez. Quarta!!! Já disse isso? A quarta vez que um homem em toda a sua superioridade imbecil masculina se assume no direito de violar o corpo de uma mulher, o meu corpo. O pior: e a coragem pra enfrentar um grupo de marmanjos bêbados? Provavelmente amigos desse idiota e que o defenderiam dizendo: "mas ele só ta bêbado". 
Não. Não. Não e não.
Essa é a hora que me irrita e me envergonha morar nesse país. Essa cidade que se diz a mais perfeita do mundo, que diz ter mulheres lindas mas não faz o mínimo que é respeitar o próximo.
Eu chorei hoje. Quem me conhece sabe que isso não é do meu feitio. Mas chorei. Pela impotência de não fazer nada depois de sentir a mão de um estranho em um lugar onde não ninguém entra sem o meu consentimento. 
A minha vontade era de quebrar a garrafa de vidro na cabeça dele. Meus amigos me seguraram, talvez por receio de uma retaliação dos comparsas desse babaca. 
Eu estou decepcionada. Triste. Puta mesmo, no português claro.
Porque nada, nada, nada justifica o que esse imbecil fez comigo. 
E agora a única coisa que tenho a fazer é lamentar e me "conformar" porque essa não foi a primeira vez e talvez não tenha sido a última. Que merda de lugar.