domingo, 30 de agosto de 2009

Atlântico

Não tinha momento melhor.
Como se esse dia tivesse começado fadado a terminar mal.
De manhã eu já sabia que precisaria de muito mais do que apenas endorfina.
Altas doses...
E, de repente, como quem vê no fracasso a expectativa de um sucesso, saí da estagnação para a vida.
Nos olhos atrás do balcão, percebi o fim de uma noite já acabada há ano.
No início de uma nova história, de um novo...
Assim recomeço um ano que se perdeu além do Atlântico.

Vicky, Christina, Barcelona, Junior...

Eu tenho o dom. Nasci para ser escritora. Só alguém com a minha predisposição para ter histórias pode ter tal profissão. Não é à toa que os meus causos são como são. Não há nenhuma ficção nas minhas poesias. Não há lorota nos contos. Eu simplesmente vivo tudo. Desde a tristeza básica da tpm até o auge da cara de pau de um personagem de cinema.
Os rótulos, não tenho. E há quem diga que eu sou além da linha do comum. Mas não é algo que eu me importe. Bom mesmo é que existe alguém assim. Cuja felicidade se encontra em uma porta de boite ou na calçada de um botequim. Quem faz a minha vida sou eu. E melhor que fazê-la, é ter aptidão para registrá-la.
Enquanto o mundo vibra com a minha criatividade borbulhante, eu brinco de viver romances e recrio a realidade em folhas online.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sem saber

Muito ruim dizer menos que a verdade, travar a vontade e fingir "nada".
Se eu pudesse, abriria a boca com toda a força pra dizer o que você já sabe.
Mesmo que fosse repetição, ouvir de novo e dividir a obsessão não é desejo somente.
Quero dizer que alguém que sente sabe que até o platônico consegue sentir algo de volta.
E eu, por maior a loucura, ou pra afogar meu desespero, preciso ser honesta comigo mesma e gritar pro mundo inteiro:
- Eu não sei amar. Mas sei que...
E, assim, sem ter o que dizer, você ri, me abraça e nem sabe por quê.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Caderno novo

Entrei na livraria como alguém que invade ensanguentado a emergência de um hospital. Preciava de algumas resmas para a minha cura. Eu não sabia que ficaria tão perturbada...
Rodei as sessões sem conseguir decidir o que ver primeiro. Meu olhar estava incapaz de focar-se em um livro apenas. Não havia concentração suficiente nem para me fazer acalmar e perceber que não havia livro na minha frente. Eu estava parada, no meio do corredor da livrariasem saber se chorava ou se sorria.
Meus dedos foram buscar a solução e em pouco tempo eu folheei uma dezena de capas e páginas. Mas não lembro-me de nenhum título. Eu queria que um qualquer se atirasse em cima de mim e me dissesse:
- Sou eu! Sou eu o que você procura!
E aí, num passe de mágica, eu teria em minhas mãos, em preto e branco, tudo o que eu gostaria viver. A cada dia ele se reinventaria para que eu nunca o colocasse de volta em seu lugar e para que eu nunca procurasse um substituto.
Uma história nova por dia. E ponto. Novos dias, novas emoções da dupla inseparável. Eu e ele. E ele sempre a me agradar...
Enquanto eu admirava as minhas ilusões, me deliciava com a minha imaginação, percebi que não haveria solução. Depois de ser esbarrada por um decidido e realista na livraria, me dei conta. Nesse mundo não haveria alguém a me contar as histórias exatamente como eu as queria. Ninguém seria capaz disso.
resistindo à crença em mim mesma, dei por declarada a derrota e comprei um caderno novo para mim. meu livro sou eu mesma que terei que escrever.
Na fila do cinema, as pipocas por inteiro desciam goela abaixo. Não havia saliva para diluir todo aquele estouro.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Agosto

Mês do desgosto.
Mês de um gosto tão grande...
De um ano de agosto a outro
Nada além de tentativa de gosto...
Mas agosto, como ele mesmo diz:
Não há gosto algum.
A-gosto.
Não sobra nem um pouco!
De tanto mês, a gosto da vez,
A vontade acaba na estação
Que muda apenas a gosto
De quem não quer ter desgostos
em uma distância ou na contra-mão.

Sem regras gramaticais,
Ou a gostos da autoria,
Agosto é o mês
Onde começa e termina a alegria.
Sempre a gosto do freguês.

Breve descrição

Sou carioca, artista, escritora, louca, poetisa, vulnerável, apaixonada, publicitária, estudante, intensa, desorganizada e exagerada. Sei muita coisa. Mas, ainda não sei como arrumar meu quarto e o que fazer com tanta sinceridade.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Na minha praça

Vem chegando o momento
E a ansiedade não passa.
Não sei o motivo...
Não acho a menor graça
Em saber que meu sorriso
É maior em outra praça.
Enquanto o tempo pára
Ninguém mais disfarça
Que a alegria existe
Mas que sem você é escassa.
Posso dizer que só o que preciso
É de um pouco mais de raça
Pra assumir que sem você
Não vai haver mais desgraça.
Preciso parar de temer
Viver sem seu abraço.