segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Frase pronta

O seguro morreu de velho.
Mas não aproveitou a vida como poderia.

Mal-me-quer

Em apenas umas palavras
A racionalidade sobressai
Através da ajuda de um medo
Que pra uns chega sempre mais cedo.

Eu que não titubeio
Retomo agora meu presente
Corro de um atraso passado
De uma dor que já havia abandonado.

Na esperança da loucura
Invisto novamente na própria
Mesmo ao consolar a morte
De um amor que cedeu à sorte.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Pra não dizerem por aí que eu esqueci deste blog

Dificilmente utilizo outros em meus lábios,
No entanto, no verso que gostaria de ter agora,
Não encontro palavras...
Pra não deixar o vazio ainda maior
Empresto sílabas e contradições.
Eu não poderia ignorá-las.


Assumo a tcholisse:

"No Dia em que ocê foi embora, eu fiquei
sentindo saudades do que não foi
lembrando até do que não vivi,
pensando em nós dois"
(Lenine e L. Queiroga)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Uma xícara de chá

Diz o meu professor de filosofia do cinema que a realidade é falsa. Tudo é falso. Não existe um único conhecimento que seja verdadeiro, a não ser o sobre sua própria falsidade. As imagens e nossa percepção são tão difusas...Mas se a vida fosse uma grande profusão de realidades sem fundamento, os dias não passariam de brincadeiras de criança.

- Carminha, você gostaria de uma xícara de chá?
- Mas não há nada dentro.
- Finge que tem.

É. Eu poderia fingir que há alguma coisa dentro. Assim como a Carminha poderia servir-se de um chá de qualquer erva do planeta, existente ou imaginária. Eu poderia acreditar que existe vida após a morte, que existe amor e que as palavras não são apenas fonemas e encontros vocálicos. Eu poderia. A Carminha poderia.

Mas de que me bastaria viver acreditando em brincadeiras verídicas? Na minha realidade não há tempo para que a ilusão se esparrame. O chá derramado pode queimar.

Há quem diga que é em sonho que se encontra a verdadeira falsidade. Que a verdade palpável já transcendeu ao limiar de sua própria consistência. Portanto, seria só ao aceitarmos a falsidade como verdadeira que ela teria realmente seu reconhecimento e sua capacidade de sublimação.

Eu, no entanto, ainda sofro as agruras da verdade humana, do concreto, do asfalto. Na dureza de meu físico, percebo que mesmo quando creio em tanta falsidade, a verdade me puxa ao chão como força centrípeta à sua órbita.

Não há mais o que temer. Não há mais o que tomar. Derramei tudo. As lágrimas, falsas que só, molharam minhas verdades.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Pulo

No primeiro plano
Do trampolim, um salto.
Não me descalço.
Apenas observo insano.
Não adianta trama
Nas raias ao longo.
Mas não ignoro...
Isso é comédia, ou drama?

Gosto

...se ao menos os meus sais fossem mais doces...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Blá blá blá

Dúvida inóspita
De não saber o que dizer
Enquanto a crença oscila
Em verbetes graves.

Não sei a resposta
Não há muito o que fazer
Na ponta da língua solta
Sussurrando em outros ares.

Anseio pela calma
Que só você sabe trazer
Em versos da sua prosa
Simulando nossos pares.